9 Benefícios da Romã que Deve Conhecer

Romãs acabadas de colher numa taça laranja

Por Ana Sousa · Nutricionista (Cédula 2187N) · Inscrita na Ordem dos Nutricionistas · Actualizado em Março 2026

Resposta Rápida

A romã é uma das frutas com maior capacidade antioxidante conhecida. Os seus principais benefícios incluem a proteção cardiovascular, a redução da inflação crónica, o reforço da imunidade e o apoio à saúde intestinal. Em Portugal, está na época entre setembro e novembro.

A romã é muito mais do que uma fruta visualmente impressionante. Os seus arilos rubi-escuros guardam uma concentração excecional de compostos bioativos — punicalaginas, antocianinas e ácido elágico — que fazem dela um dos alimentos funcionais mais estudados e valorizados pela ciência nutricional.

Neste artigo, a nutricionista Ana Sousa apresenta os 9 principais benefícios da romã para a saúde, com base em evidência científica, e explica a forma mais eficaz de a incluir na alimentação diária.

Perfil Nutricional da Romã

Uma chavéna de arilos de romã (cerca de 174 g) fornece aproximadamente: 7 g de fibra, 3 g de proteína, 30% da dose diária recomendada de vitamina C, 36% de vitamina K, 12% de folato e quantidades significativas de potassio e magnesésio. Tudo isto com apenas cerca de 144 kcal.

Para além dos macronutrientes, é nos compostos fenólicos que reside o verdadeiro potencial da romã. As punicalaginas, exclusivas desta fruta, são transformadas pelo organismo em urolitinas — compostos com potente ação anti-inflamatória e protetora a nível celular.

1. Poderosa Fonte de Antioxidantes

A romã contém punicalaginas e ácido púnico — compostos exclusivos desta fruta que apresentam uma capacidade antioxidante três vezes superior à do vinho tinto e do chá verde. Os antioxidantes protegem as células do organismo contra o dano oxidativo causado pelos radicais livres, que está na origem do envelhecimento precoce e do desenvolvimento de diversas doenças crónicas.

Incluir romã regularmente na alimentação contribui para um estado antioxidante geral mais elevado, especialmente quando combinada com uma dieta rica em outros vegetais e frutas coloridas.

2. Protege o Coração e os Vasos Sanguíneos

Vários estudos clínicos demonstraram que o consumo regular de romã ou do seu sumo pode contribuir para a redução do colesterol LDL oxidado — o principal responsável pela formação de placas ateroscleróticas nas artérias. Além disso, a romã pode ajudar a melhorar o perfil lipídico geral, aumentando o colesterol HDL.

Um estudo publicado no Clinical Nutrition demonstrou que o consumo diário de sumo de romã durante 3 meses reduziu significativamente a progressão da aterosclerose carotídea em doentes em risco cardiovascular. É um aliado que não deve faltar numa dieta cardioprotetora.

3. Combate a Inflação Crónica

A inflação crónica de baixo grau está na origem de doenças como a diabetes tipo 2, a obesidade, as doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro. Os compostos fenólicos da romã inibem várias vias inflamatórias, incluindo a produção de citocinas pró-inflamatórias como o TNF-alfa e a interleucina-6.

Esta propriedade anti-inflamatória é particularmente relevante para pessoas com dores articulares, condições inflamatórias intestinais ou risco cardiovascular elevado.

4. Apoia a Saúde Intestinal

A romã é rica em fibra e em compostos pré-bióticos que alimentam as bactérias benéficas do intestino. Estudos recentes sugerem que os polifenóis da romã promovem o crescimento de Bifidobacterium e Lactobacillus, espécies associadas a um microbioma intestinal saudável.

Um microbioma equilibrado está diretamente ligado à saúde imunitária, ao bem-estar mental e à regulação do peso. Comer romã inteira (e não apenas o sumo) maximiza este benefício, uma vez que a fibra é fundamental para a nutrição da flora intestinal.

5. Fortalece o Sistema Imunitário

A romã é uma fonte notável de vitamina C, que é essencial para o funcionamento do sistema imunitário. Mas a sua contribuição imunitária vai além desta vitamina: os seus compostos fenólicos têm demonstrado atividade antimicrobiana e antivírica em estudos laboratoriais, incluindo contra algumas estirpes de bactérias resistentes a antibióticos.

No outono e inverno, que coincide precisamente com a época da romã, incluir esta fruta na alimentação é uma estratégia inteligente de apoio à defesa imunitária natural do organismo.

6. Contribui para Reduzir a Pressão Arterial

A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco cardiovascular. Estudos clínicos demonstraram que o sumo de romã tem a capacidade de reduzir tanto a pressão sistólica como a diastólica, atra vés da inibição da enzima conversora da angiotensina (ECA), mecanismo semelhante ao de alguns medicamentos anti-hipertensores.

Embora não substitua a medicação prescrita, a romã pode ser um complemento alimentar valioso no contexto de uma estratégia de gestão da pressão arterial. Fale com a sua médica antes de fazer alterações à medicação.

7. Apoia a Saúde Articular

A artrite e outras condições articulares inflamatórias são condicionantes frequentes na qualidade de vida. Os compostos da romã bloqueiam enzimas que danificam as cartilagens articulares, como a metaloproteinase-3, e reduzem a inflação sinovial.

Estudos preliminares em pessoas com artrite reumatóide e osteoartrite mostraram melhorias nos marcadores inflamatórios após o consumo regular de extrato de romã. Embora seja necessária mais investigação, os resultados são promissores para quem sofre de dores articulares.

8. Pode Beneficiar a Memória e a Função Cerebral

A inflação e o stresse oxidativo são fatores que contribuem para o declive cognitivo e para doenças neurodenegerativas como o Alzheimer. Os antioxidantes da romã, especialmente as urolitinas produzidas pela sua metabolização intestinal, têm demonstrado potencial na proteção das células nervosas.

Um ensaio clínico com pessoas mais velhas com queixas de memória mostrou melhorias significativas na memória verbal e visual após 4 semanas de consumo diário de sumo de romã. Mais uma razão para incluir esta fruta de forma regular na dieta.

9. Como Integrar a Romã na Alimentação Diária

A romã pode ser consumida de várias formas: os arilos (sementes) adicionados a iogurtes, saladas, papès de avião ou smoothies; o sumo natural espremido na hora; ou simplesmente comida simples como lanche. Evite os sumos de romã industriais, que geralmente contêm açúcar adicionado e menos compostos ativos.

A porção recomendada é de meia romã ou meio copo de sumo natural por dia — suficiente para beneficiar das suas propriedades sem exceder o teor de açúcar natural. A época em Portugal vai de setembro a novembro, por isso aproveite ao máximo estes meses.

Conclusão

A romã é, sem dúvida, uma das frutas mais completas e benéficas que a natureza nos oferece. Os seus compostos bioativos únicos tornam-na num alimento funcional com aplicações que vão muito além do simples prazer gastronómico. Aproveitar a sua época — setembro a novembro em Portugal — é uma forma inteligente de enriquecer a alimentação e proteger a saúde.

Se deseja criar um plano alimentar rico em alimentos funcionais adaptados às suas necessidades específicas, consulte a nutricionista Ana Sousa para um acompanhamento personalizado e baseado em evidência.

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