Ozempic para emagrecer: o que precisa de saber antes de arriscar a sua saúde

ozempic para emagrecer

O Ozempic e os outros medicamentos da mesma família ganharam atenção nas redes sociais como atalho para perder peso. Na consulta, a pergunta costuma ser esta: isto resulta, e é seguro para quem só quer emagrecer?

Respondo em duas partes. A medicação pode ter lugar, e tem de ser prescrita e acompanhada por um médico. E mesmo quando é prescrita, a alimentação continua a decidir o que fica depois. Neste artigo explico o que é o medicamento, o que pode correr mal quando é usado por fora, e o que fazer à mesa durante e depois do tratamento.

O que é o Ozempic e para quem foi feito

O Ozempic é um medicamento indicado para pessoas com diabetes tipo 2. Atua a reduzir o apetite e a ajudar no controlo do açúcar no sangue. Como um dos efeitos é comer menos, muita gente sem diabetes passou a procurá-lo pela perda de peso, puxada pelos resultados rápidos que vê nas redes sociais.

Usar este tipo de medicação sem indicação médica adequada traz risco. A dose, a progressão e o acompanhamento médico separam um tratamento de uma experiência feita às cegas. Pode ler mais sobre o medicamento em Ozempic: para que serve e a quem se destina, da DECO Proteste.

Riscos e efeitos secundários a contar

Como qualquer medicamento, pode causar efeitos indesejados, sobretudo quando é usado fora de contexto clínico. Os mais frequentes são:

  • náuseas e vómitos;
  • enfartamento, obstipação e outras queixas digestivas;
  • perda de massa muscular quando a alimentação não acompanha;
  • alterações metabólicas e hormonais;
  • efeitos a longo prazo ainda pouco estudados.

Há ainda uma consequência que chega mais tarde. Perder peso depressa com medicação, sem mudar nada à mesa, não ensina a comer. Quando a medicação sai, fica a mesma rotina alimentar que existia antes.

O que comer enquanto está a fazer o tratamento

Quando o apetite desce muito, o pensamento mais comum é que quanto menos comer, melhor. Na prática acontece o contrário. O corpo continua a precisar de proteína, fibra, vitaminas, minerais e água, e passa a receber tudo isso em quantidades mais pequenas. Por isso a composição do prato ganha peso.

O que peço às minhas pacientes nesta fase: começar a refeição pela fonte de proteína, ovo, peixe, carne, queijo fresco ou leguminosas; escolher alimentos densos em nutrientes, porque cada garfada conta mais; beber água ao longo do dia, mesmo sem sede; e ajustar o tamanho e o número das refeições à tolerância de cada dia. Se as náuseas ou o enfartamento forem persistentes, fale com o médico que acompanha a medicação, porque a alimentação ajuda e não substitui essa avaliação.

Desenvolvi este tema em detalhe no artigo sobre alimentação durante o tratamento com Mounjaro, que serve para qualquer medicamento desta família.

O que acontece quando a medicação sai da rotina

No início do tratamento esta parte fica para depois. E decide o resultado a dois anos. O apetite volta. Se nesse momento a pessoa não tiver hábitos construídos, horários de refeições que funcionam, pratos que sabe montar e uma forma de lidar com jantares fora e fins de semana, o peso tende a voltar com ele.

O acompanhamento nutricional durante o tratamento serve para isso: sair do tratamento com uma forma de comer que se aguenta sozinha, para além da perda de peso que acontece enquanto a fome está reduzida. Escrevi sobre esta fase em manter o peso depois de parar a caneta.

Porque é que emagrecer devagar aguenta melhor

Emagrecer de forma gradual protege o que interessa manter. A massa muscular fica preservada, o que mantém o gasto de energia em repouso. A pele e o corpo acompanham a mudança. E os hábitos têm tempo de se instalar, que é a diferença entre perder peso e manter o peso perdido.

Com ajustes pequenos nas refeições, escolhas que cabem na rotina real e acompanhamento, dá para emagrecer sem passar o dia com fome. Explico a lógica em emagrecer sem dieta restritiva.

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O que levar daqui

Antes de considerar qualquer medicamento para emagrecer, fale com o seu médico e perceba os riscos. Se já está a fazer o tratamento, trate a alimentação como parte dele desde o primeiro dia, e não como uma coisa para resolver no fim. Assim chega ao fim do tratamento com alguma coisa construída.

Se quer organizar a alimentação durante ou depois do tratamento, marque uma consulta de nutrição comigo. Vejo a sua rotina em concreto e digo-lhe por onde começar.

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Ana Sousa, nutricionistaAna SousaNutricionista · Licenciada em Nutrição, CESPU · Cédula N2187, Ordem dos NutricionistasConhecer o percurso da Ana →

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