Nutrição na Menopausa: Como Perder Peso e Controlar os Sintomas

Mulher a preparar uma refeição com legumes frescos numa cozinha luminosa

NUTRIÇÃO & MENOPAUSA

Faz o mesmo de sempre e o corpo responde de outra maneira. A gordura acumula-se na barriga, o sono parte-se a meio da noite e a energia não chega ao fim do dia.

Aqui explico o que muda de facto nesta fase, o que a alimentação consegue melhorar e o que não consegue, e três hábitos para começar esta semana.

Por Ana Sousa  ·  Nutricionista (Cédula 2187N)  ·  Inscrita na Ordem dos Nutricionistas  ·  Atualizado em Agosto 2026

Resposta Rápida

Na menopausa, as prioridades da alimentação mudam. Proteína em todas as refeições para travar a perda de massa muscular, cálcio e vitamina D para o osso, menos açúcar e ultraprocessados por causa da resistência à insulina, e gorduras boas do azeite, do peixe gordo e dos frutos secos.

O que resultava aos 35 deixa de resultar por uma razão concreta: perde-se músculo, a gordura muda de sítio e o corpo lida pior com refeições ricas em hidratos isolados. Cortar mais calorias é a resposta que costuma piorar o problema.

Mesa com ovos cozidos, iogurte natural, sardinhas, brócolos, amêndoas e queijo fresco

O Que Muda no Corpo com a Menopausa

A queda do estrogénio é o ponto de partida. Enquanto os níveis eram altos, a gordura acumulava-se sobretudo nas ancas e nas coxas. Com a descida, passa a concentrar-se na zona abdominal, e é por isso que a roupa deixa de assentar da mesma forma mesmo quando o peso quase não mexeu.

Ao mesmo tempo, acelera a perda de massa muscular. Como o músculo é o tecido que mais energia gasta em repouso, o gasto diário desce sem que nada tenha mudado na sua rotina.

Junta-se a resistência à insulina, que torna os picos de glicémia mais notados: sono a meio da tarde, fome pouco depois de comer, vontade de doce ao fim do dia. E há o sono, que se parte com os afrontamentos, e o humor, que oscila. Dormir mal desregula a fome do dia seguinte, o que fecha o ciclo.

Nutrição na Menopausa: O Que Priorizar

A alimentação é das poucas alavancas que continua inteiramente nas suas mãos nesta fase. Não trava a menopausa, e melhora bastante a forma como a atravessa.

Proteína, a Base

Nesta fase, as necessidades de proteína sobem em vez de descerem, precisamente porque o corpo perde músculo com mais facilidade. Uma referência prática, sem pesar nada: uma fonte de proteína em todas as refeições principais e também nos lanches.

Na prática, ovos, iogurte grego natural, queijo fresco, atum, sardinha, frango, peixe, leguminosas. O pequeno-almoço é onde falta mais vezes. Trocar as torradas com doce por torrada com ovo muda a fome de toda a manhã.

A proteína sozinha não chega. Duas sessões de treino de força por semana multiplicam o efeito e protegem também o osso.

Cálcio e Vitamina D

Com a descida do estrogénio, a perda de densidade óssea acelera. O cálcio passa a merecer atenção deliberada: laticínios, sardinha com espinha, brócolos, couves, amêndoas, bebidas vegetais enriquecidas.

A vitamina D é o que permite aproveitar esse cálcio. Vem sobretudo da exposição solar, e em Portugal, entre outubro e março, a produção é reduzida mesmo com sol à vista. Muitas mulheres nesta fase têm valores baixos.

Suplementar faz sentido em alguns casos, sempre depois de análises e com indicação profissional. Doses altas por conta própria não são inofensivas.

Fitoestrogénios

Os fitoestrogénios são compostos de origem vegetal com estrutura semelhante ao estrogénio. Encontram-se na soja e derivados, no tofu, no tempeh, nas leguminosas e na linhaça.

A investigação sugere que podem aliviar afrontamentos em algumas mulheres, com resultados que variam bastante de pessoa para pessoa. Não lhe prometo esse efeito. Como estes alimentos são interessantes por outras razões, proteína vegetal e fibra incluídas, vale a pena tê-los na semana e avaliar por si.

Se tem historial pessoal ou familiar de cancro da mama, fale com a sua médica antes de aumentar o consumo de soja de forma marcada.

Menos Açúcar e Ultraprocessados

Com a sensibilidade à insulina reduzida, uma refeição de hidratos isolados provoca uma subida rápida seguida de uma queda. Essa queda traz sono a meio da tarde e fome uma hora depois de comer.

A regra que uso é simples: hidratos raramente sozinhos. Pão com ovo ou queijo em vez de pão com doce, fruta acompanhada de um punhado de frutos secos, arroz ou massa sempre com uma fonte de proteína e legumes ao lado.

Nos ultraprocessados vale a pena olhar também ao sal e ao álcool, que agravam os afrontamentos e prejudicam o sono em muitas mulheres.

Gorduras Boas e Hidratação

Azeite virgem extra, frutos secos, sementes, abacate e peixe gordo, como sardinha, cavala ou salmão, duas vezes por semana. Estas gorduras ajudam a saciedade e são úteis para o perfil lipídico, que também tende a piorar nesta fase.

Quanto à água, a secura da pele e das mucosas acentua-se com a queda do estrogénio. Ter uma garrafa à vista na secretária resolve mais do que qualquer recomendação de litros por dia.

Três Hábitos Para Começar Esta Semana

  • Acrescentar proteína ao pequeno-almoço, todos os dias. É a mudança com mais efeito na fome do resto do dia.
  • Marcar dois treinos de força na agenda, com dia e hora. Elásticos e halteres em casa chegam para começar.
  • Definir uma hora para desligar ecrãs à noite, para dar hipótese ao sono que a menopausa já dificulta.

Sintomas da Menopausa e Alimentação

Vale a pena ser clara sobre o que a alimentação faz e o que não faz.

Nos afrontamentos, reduzir álcool, café e refeições muito condimentadas ajuda uma parte das mulheres. Os fitoestrogénios podem ajudar, sem garantia.

No sono, jantar mais cedo e mais leve e cortar o álcool à noite costumam trazer melhoria em poucos dias.

No humor e no cansaço, estabilizar a glicémia ao longo do dia evita as quebras que se confundem com desânimo. Corrigir ferro ou vitamina D em falta, quando as análises o mostram, faz diferença real.

O que a alimentação não faz é substituir terapêutica hormonal quando ela está indicada. Essa decisão é da sua médica, e as duas coisas somam-se em vez de competirem.

Porque Faz Diferença Ter Acompanhamento

Duas mulheres com a mesma idade atravessam esta fase de maneiras muito diferentes. Uma queixa-se sobretudo do sono, outra da barriga que apareceu, outra de não conseguir parar de petiscar à noite.

Em consulta, começo pelas análises e pelo seu dia real: a que horas come, quem cozinha, como dorme, o que já experimentou. A partir daí ajustamos a proteína, a distribuição das refeições e o que faz sentido suplementar, se for o caso.

Para quem sente que a alimentação nesta fase está muito ligada ao humor e à ansiedade, o programa Corpo e Mente junta a nutrição à psicologia.

Conclusão

A menopausa muda as regras do jogo e não fecha a porta. Proteína suficiente, treino de força, cálcio e vitamina D em atenção, menos açúcar isolado e cuidado com o sono. São poucas coisas e todas ao seu alcance.

Se anda a repetir o que resultava há dez anos e a estranhar que já não resulte, não é falha sua. É o método que precisa de ser atualizado para o corpo que tem agora.

A menopausa não tem de ser um obstáculo

Marque uma consulta de nutrição comigo e construímos um plano ajustado a esta fase, às suas análises e à sua rotina. Sem restrições severas e sem promessas que não se cumprem.

Ana Sousa, nutricionistaAna SousaNutricionista · Cédula 2187N, Ordem dos NutricionistasConhecer o percurso da Ana →

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