Tenho doença de Crohn. Que alimentação devo seguir?

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A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII).

Mas o que é afinal uma DII?

As doenças inflamatórias intestinais são consideradas doenças crónicas que afetam o trato gastrointestinal. Neste tipo de patologia existe uma inflamação do revestimento e da parede do intestino.

O que é a Doença de Crohn

A DC (doença de Crohn) é caracterizada pela inflamação recorrente do trato gastrointestinal, que pode ser afetado em toda a sua extensão, desde a boca até ao ânus, sendo o íleo e o cólon as zonas mais afetadas. Nesta patologia, todas as camadas da mucosa são atingidas, no entanto, as lesões não ocorrem de forma contínua ao longo do trato gastrointestinal, estando as áreas lesadas separadas por uma região sem inflamação.

O que acontece que as células imunológicas acumulam-se nos intestinos, atacando bactérias, alimentos, tecido corporal saudável e outras substâncias inofensivas ou mesmo benéficas Pessoas com este tipo de patologias possuem maior risco de carências nutricionais.

Quais são os sintomas?

Os sintomas são muito variados, mas na fase aguda é comum existir diarreia, febre, dor abdominal, anorexia, perda de peso, desnutrição, anemia, intolerâncias alimentares e atraso no crescimento na maioria dos casos.

Tenho doença de Crhon. Que tipo de alimentação devo seguir?

o que comer na doença de crohn

Uma alimentação completa é fundamental para a saúde em geral. Esta passa a ser ainda mais importante no caso da Doença de Crohn, uma vez que existe uma má absorção dos nutrientes.

É importante estar muito bem hidratado assim como ter uma alimentação variada, rica em proteínas, fibras solúveis, vitaminas e minerais; e um aporte moderado em hidratos de carbono e gorduras.

 

Assim, não existem alimentos específicos a evitar por todos os doentes, mas alguns indivíduos podem ter intolerâncias alimentares ou desconforto com determinados alimentos, sendo que nesses casos esses alimentos devem ser evitados. 

Principais alimentos a evitar:

Alguns alimentos ligados ao agravamento de sintomas incluem: 

  • Alimentos ricos em lactose (leite, queijo, iogurte com lactose);
  • Alimentos com sacarose, açúcar simples (bolos, bolachas, gelados.);
  • Alimentos ricos em glúten (presente em farinha de trigo, cevada e centeio);
  • Consumo de polióis (como o sorbitol e manitol), que são adoçantes bastante usados na indústria alimentar, sobretudo em alimentos “sugar free” e “diet”;
  • A baixa ingestão de fruta e vegetais, baixa ingestão de fibras;
  • Ingestão excessiva de carne vermelha;
  • Consumo de álcool e/ou café

Posso comer hidratos de carbono?

Em relação ao consumo de hidratos de carbono, o excessivo fornecimento de Oligossacáridos, Dissacáridos, Monossacáridos e Polióis Fermentáveis (FODMAPs), poderá piorar os sintomas, dado que a rápida fermentação destes alimentos no intestino leva ao aumento de permeabilidade intestinal. Deste modo, uma alimentação com redução de FODMAPs reduz a sintomatologia gastrointestinal. É importante evitar o consumo de legumes crus e sobretudo vegetais e outos alimentos que estão associados a uma elevada fermentação no estomago.

Ora confere na tabela abaixo quais os alimentos que deves privilegiar e evitar.

 

Consumir (baixo em FODMAP’s)

Evitar (alto em FODMAP’s)

Frutas

Banana, mirtilo, melão, uva, kiwi, limão, lima, laranja, tangerina, maracujá, mamão, framboesa, morango

Melancia, pêssegos, nectarinas, ameixa, maçãs, pêras, manga, cerejas, damasco, abacate

Legumes

Bambu, cenoura, aipo, beringela, feijão-verde, alface, abobora, tomate, pepino, acelga, nabo

Alcachofras, aspargos, beterraba, couve-de-bruxelas, couve-flor, brócolos, repolho, erva-doce, alho, cebola, ervilha, chalotas

Lacticínios

Sem lactose, por exemplo, bebida vegetal de arroz, amêndoa, coco

Alimentos com lactose ( leite de vaca, cabra, ovelha, manteiga, iogurtes, queijos)

Cereais

Cereais sem glúten (milho, quinoa, tapioca, aveia sem glúten

Trigo e centeio quando consumidos em grandes quantidades, cevada

Leguminosas

 

Grão-de-bico, lentilhas, feijão

Sementes e frutos oleaginosos

Nozes, pinhão, amendoim, macadâmia, sementes de chia e girassol

Pistachos, caju

Edulcorantes

Glicose, açúcar (sacarose), outros adoçantes artificiais não terminam em “ol”

Frutose, xarope de milho

Adoçantes

 

Sorbitol (E420), manitol (E421), xilitol (E967), maltitol (E965), isomalte (E953), e outros que terminam em -ol

E relativamente às gorduras e lípidos?

Relativamente aos indivíduos desnutridos e com má absorção, o consumo de gorduras deve ser mais controlado. Existem evidências que afirmam que o consumo de ácidos gordos ómega-3  (presentes sobretudo em peixe e sementes) está associado à diminuição da inflamação e portanto redução de recidivas da doença de Crohn. 

Devo tomar suplementação de vitaminas e minerais?

É comum existirem carências nutricionais, sobretudo de ácido fólico (VIT. B9) (devido à farmacoterapia com sulfassalazina) e de vitamina B12, porque as lesões mais comuns são no íleo, e este é o local de absorção de vitaminas.

Assim a suplementação pode realmente ser importante especialmente da vitamina B6, B12 (sobretudo se houver receção do íleo) e ácido fólico, tal como de vitaminas lipossolúveis (Vit. A, D, E K) uma vez que doentes com mal absorção estão em risco de deficiências destas vitaminas.

Concluindo, embora a doença de Crohn seja desafiadora é possível viver uma vida plena, recompensadora, feliz e produtiva.

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