São cinco da tarde. A toalha está cheia de areia, a água da garrafa já está morna e do bar vem o cheiro das bifanas. Levou uma maçã de manhã e mais nada. Levanta-se, vai ao balcão e come de pé, depressa, o primeiro prato que lhe aparece à frente. Às oito da noite chega a casa pesada e com a sensação de ter deitado a semana abaixo por causa de uma tarde.
Isto acontece com muitas das mulheres que acompanho e quase nunca tem que ver com força de vontade. Tem que ver com o que ficou dentro da mala nessa manhã. Neste artigo mostro os sete snacks saudáveis para a praia que levo comigo, explico porque é que esta combinação segura a fome durante horas, e deixo o método de preparação que faço na véspera em dez minutos.
A fome das cinco da tarde começa às nove da manhã
Enquanto trata do protetor solar, das toalhas e do saco dos brinquedos, a sua comida é a última coisa a entrar na mala. Vai uma peça de fruta, o resto de um pacote de bolachas que estava aberto na despensa, e o assunto fica arrumado. É o que dá para fazer com a casa a andar às voltas antes das dez da manhã.
Nas primeiras horas corre bem. O calor tira o apetite, o mar distrai e você nem se lembra de comer. O problema está no intervalo. Entre o pequeno-almoço às oito e as cinco da tarde vão nove horas com uma maçã pelo meio. Nenhum corpo aguenta isso sem depois pedir a conta, e quando pede, pede com urgência.
Nessa altura já não está a escolher nada. Está a responder a uma fome que se acumulou durante a tarde inteira. O cheiro do frito do bar fica mais intenso, a fila parece mais rápida do que é, e come em três minutos aquilo que noutro dia comeria em quinze. É uma das armadilhas que descrevo nos 5 erros que sabotam o emagrecimento no verão.
Interessa-me muito a diferença entre duas situações que parecem iguais. Comer uma bola de Berlim na praia porque lhe apetece uma bola de Berlim é uma coisa. Comer uma bola de Berlim porque está há nove horas sem comer a sério é outra. O alimento é o mesmo. A decisão que está por trás dele muda tudo, incluindo o que você sente sobre si própria no fim do dia.
Proteína, fibra e água: a regra com que monto qualquer lanche
Uma peça de fruta sozinha digere-se depressa. Dá uma subida de energia curta e, menos de uma hora depois, o estômago volta a pedir. Por isso nunca mando ninguém para uma tarde de praia com fruta e mais nada na mala.
A proteína demora mais tempo a sair do estômago. Um queijo, uns tremoços, uma barra com proteína: qualquer um destes prolonga a sensação de estar alimentada durante horas em vez de meia hora. É a peça que costuma faltar nas malas de praia que as minhas pacientes me descrevem em consulta.
A fibra ocupa espaço e obriga a mastigar devagar. Tostas integrais, frutos secos, a casca da fruta. Ajuda a manter o açúcar no sangue estável e evita aquele assalto à despensa quando entra em casa ao fim do dia.
A água faz metade do trabalho e é a parte que mais gente despacha. Com calor, sal e vento perde-se bastante líquido, e o corpo troca com facilidade a sede pela vontade de petiscar qualquer coisa doce. Fica aqui uma coisa que pode testar hoje: quando lhe aparecer fome às quatro da tarde, beba dois copos de água, espere dez minutos e volte a avaliar. Muitas vezes a fome desaparece sozinha.

Os 7 snacks saudáveis para a praia que levo na mala
Compro tudo no supermercado, sem receitas e sem cozinha. Aguentam uma tarde inteira dentro de uma lancheira térmica com uma placa de gelo ou com uma garrafa congelada. Se em vez de lanche quiser levar uma refeição completa, deixei três sugestões nos almoços saudáveis para a praia.
Uvas
Lavo em casa, guardo numa caixa fechada e vão para o frio. Não precisam de faca, não escorrem sumo e comem-se uma a uma mesmo com as mãos cheias de protetor solar e areia. É a forma mais simples de ter fruta fresca na praia sem ficar tudo pegajoso.
Saquetas de fruta 100% fruta
Escolho as que têm só fruta na lista de ingredientes, sem açúcares adicionados. Não se esmagam no fundo do saco, fecham com tampa de rosca e dá para beber metade e guardar o resto para daí a uma hora. Levo sempre uma a mais, para o caso de a tarde se esticar.
Babybel Light
A cera protege o queijo e aguenta bem umas horas ao lado da garrafa congelada. Dá proteína e cálcio, ocupa pouco espaço e desembrulha-se com uma mão só, o que na praia conta. Dois destes com duas tostas fazem um lanche a sério.
Tremoços
O petisco português mais subestimado que existe. Juntam proteína vegetal e fibra na mesma dentada, são salgados e repõem alguma coisa do que se perde a transpirar. Ocupam as mãos durante bastante tempo, que é metade da função de um petisco de praia. Uma caixa pequena de tremoços faz o mesmo papel social de um pacote de batatas fritas e deixa-a com outra sensação no corpo ao fim da tarde.
Mini tostas integrais
Ocupam pouco volume, não derretem e não amolecem dentro da mala. Dão hidratos de absorção mais lenta, que é o que a cabeça pede ao fim de umas horas ao sol. Funcionam bem sozinhas e melhor ainda com o queijo por cima.
Frutos secos ao natural
Nozes, amêndoas e cajus, sem sal e sem fritura. Uma mão cheia, comida devagar, resolve grande parte da vontade de mastigar por tédio ou por cansaço. Deixo a dose já separada numa caixa pequena antes de sair de casa, porque comer diretamente do pacote de meio quilo acaba sempre da mesma maneira.
Barra de proteína para a vontade de doce
A meio da tarde costuma aparecer uma vontade específica de chocolate. Se a empurrar com a barriga, ela volta às nove da noite e volta maior. Levo uma barra com sabor a chocolate, que responde ao desejo e ainda entrega proteína. Guardo no fundo da lancheira, junto ao frio, senão derrete.
Água fresca, litro e meio por pessoa
A água não entra na conta dos sete snacks, entra na conta de tudo o resto. Conte pelo menos litro e meio por pessoa para uma tarde inteira. Água morna acaba por não se beber, e isso vê-se na dor de cabeça do fim do dia. Se lhe custa beber água simples, ponha umas folhas de hortelã ou umas rodelas de limão dentro da garrafa na noite anterior.
Como deixar a mala pronta às nove da noite
De manhã não vai fazer isto. Com a casa a acordar, o protetor solar e as toalhas, ninguém faz. A preparação tem de acontecer na véspera, quando o jantar já foi, a cozinha está arrumada e a casa está calma.
Encha duas garrafas até meio e deite-as no congelador. No dia seguinte acaba de encher com água da torneira e tem água fresca até ao fim da tarde. Essas mesmas garrafas fazem de placa de gelo para o resto da lancheira, o que lhe poupa peso e espaço na mala.
Lave as uvas e guarde-as numa caixa no frigorífico. Junte os Babybel e os tremoços num saco à parte, também no frio. As tostas, os frutos secos e a barra ficam logo dentro do cesto, porque não precisam de frigorífico.
De manhã só tem de tirar duas coisas do frigorífico, uma do congelador, e fechar a lancheira. Dez minutos na véspera, trinta segundos no dia seguinte. A decisão difícil já foi tomada de estômago cheio, que é quando se tomam as boas decisões sobre comida. Se quiser este tipo de organização aplicado à semana inteira, é o que trabalho no Kit START.
A mesma lancheira serve para a viagem de carro e para o dia de piscina
Pense na descida para o Algarve. Para na área de serviço para atestar, entra na loja e sai com um folhado e um pacote de bolachas, mais por aborrecimento do que por fome. Se a lancheira viajar consigo no banco de trás, come as tostas, parte os frutos secos com quem vai ao lado e chega ao destino sem aquele peso no estômago.
O mesmo se aplica a um domingo na piscina municipal, a uma tarde de festival ou a um passeio a pé pela serra. A estrutura mantém-se: uma fonte de proteína, alguma coisa com fibra e água que chegue para as horas que vai passar fora. Estes alimentos aguentam o calor, não se estragam e evitam a quebra de energia que costuma dar ao fim da tarde. Escrevi mais sobre esta lógica em como manter hábitos saudáveis no verão.
Levar comida de casa não a fecha em casa
O emagrecimento sustentável no feminino cai sempre pelo mesmo lado quando assenta em regras rígidas. Levar a sua comida não a impede de comprar um gelado às seis da tarde nem de se sentar na esplanada com as amigas a beber alguma coisa fresca. O convívio de verão faz parte da sua saúde, e eu não trabalho contra ele. A mesma lógica vale para o resto do ano, e escrevi sobre ela em alimentação saudável para emagrecer sem desistir à quarta. Deixei as minhas regras para esses momentos no artigo sobre comer fora sem culpa no verão.
A diferença está no estado em que chega ao balcão. Se passou a tarde alimentada, come o gelado devagar, sabe-lhe bem e volta para a toalha. Se passou a tarde com uma maçã, come o que estiver mais à mão, come depressa e nem repara no sabor.
A culpa vem do descontrolo e o descontrolo vem da fome acumulada. Trate da fome ao longo da tarde e o gelado passa a ser apenas um gelado, comido de propósito e com gosto.
O que leva daqui
Um bom dia de praia não se decide na praia. Decide-se na noite anterior, em dez minutos, com o frigorífico aberto. Os sete snacks são simples por escolha: uvas, saquetas de fruta, Babybel Light, tremoços, mini tostas integrais, frutos secos e uma barra de proteína, mais litro e meio de água fresca por pessoa.
Lembre-se da última tarde que passou ao sol. Do que comeu, de como chegou a casa e da pressa com que abriu a despensa. Na próxima saída leve a lancheira feita de véspera e repare no que muda: na energia às sete da tarde, no jantar que faz a seguir, e na calma com que decide o que come.
Se este tipo de organização faz sentido para si e mesmo assim nunca a consegue manter mais do que duas semanas seguidas, é exatamente disso que trato em consulta. Parto da sua rotina real, dos seus horários e de quem cozinha lá em casa, para montar um plano que aguente também os dias maus. Marque a sua consulta de nutrição e falamos sobre o seu caso.
